Portugal deverá iniciar, em 2016, uma nova experiência política. Tendo em conta o que aconteceu no Parlamento há uma semana – o “acordo” entre PS, PCP e BE – a hostilidade crescente a uma solução de governo de gestão e a “postura institucional” sempre defendida pelo Presidente da República, o próximo governo será muito provavelmente liderado por António Costa, com o apoio da esquerda. Espera-nos um ambiente menos propício a consensos e a entendimentos, com posições por vezes extremadas que dificultam o diálogo e a criação de plataformas de entendimento e de compromisso.
A Confederação dos Serviços de Portugal (CSP), que se revê num modelo de economia de mercado e onde a iniciativa privada tem um papel determinante, entende que a estabilidade política é essencial para o país cumprir os seus compromissos internacionais, atrair investimento nacional e estrangeiro, acelerar o crescimento e manter equilibradas as contas públicas.
Além da estabilidade política, interessa também a estabilidade/previsibilidade económica, com leis claras, que estimulem o emprego, diminuam a carga fiscal sobre as empresas, promovam as exportações e facilitem a inovação. Tendo em conta os programas e as posições assumidas pelos dois partidos que apoiarão um possível Governo liderado por António Costa, a nova experiência política que aí vem poderá suscitar desafios inesperados para a vida empresarial.
Por isso, este será um momento de afirmação das estruturas que representam as empresas. A CSP, integrando empresas que faturam cerca de 20% do PIB nacional, empregando 220 mil postos de trabalho e contribuindo para 1/3 do IVA, quer afirmar-se como uma estrutura indispensável no novo cenário político que o país possivelmente viverá em 2016.
Há várias razões para essa ambição. Uma delas tem a ver com os sectores que representa – telecomunicações, centros comerciais, distribuição, comunicação comercial, comércio grossista e eletrónico, saúde, tecnologias de informação, transportes expresso, segurança privada e estudos de mercado – que são hoje dos mais dinâmicos da economia portuguesa e não se encontram refletidos nas atuais estruturas de concertação social.
O que nos move não são apenas as empresas e os seus interesses. É, acima de tudo, Portugal. Vamos viver novos tempos que exigem novas responsabilidades e atitudes, em suma novos protagonistas.
A CSP está pronta para participar em soluções de estabilidade e confiança. O que se passou nos últimos quatro anos mostrou à saciedade que as empresas – e também os portugueses – souberam ser resilientes e empreendedores em tempos marcados por incerteza e privações de toda a ordem.
Jorge Jordão
Presidente da Confederação dos Serviços de Portugal
Artigo do Presidente da CSP publicado no Económico: http://economico.sapo.pt/noticias/os-tempos-que-se-avizinham_234935.html