Portugueses, os modernos navegadores da Web

Decorreu mais uma edição da Web Summit, que em boa hora o governo anterior trouxe para Lisboa e o atual soube valorizar, cativando os seus organizadores – ao ponto de estar já assegurada a capital portuguesa como sede deste certame durante os próximos dez anos. Confirma-se assim que é possível assegurar linhas de continuidade de um desígnio estratégico nacional entre executivos de diferentes cores políticas, à margem das divergências ideológicas dos partidos que os integram.

Num país periférico, como Portugal, iniciativas deste género são ainda mais de saudar, na medida em que nos colocam na rota de milhares de empreendedores oriundos de diversas partes do mundo, contribuindo para nos libertar dos resquícios de uma economia fechada, marcada pelo protecionismo e pelo assistencialismo estatal e onde os agentes económicos mais dinâmicos continuam a ser encarados com desconfiança, apesar do seu inegável contributo para a geração de riqueza e criação de múltiplos postos de trabalho.

Esta ligação – que promete ser prolongada – da Web Summit a Lisboa é importante também por confirmar a aposta portuguesa na transformação digital. Precisamos de recuperar o tempo perdido nesta matéria, reduzindo a distância que ainda nos separa dos países europeus que se destacam na economia digital – verdadeira vanguarda tecnológica do século XXI.

Segundo previsões recentes da IDC, a empresa líder mundial na área de market intelligence para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, o crescimento de novos negócios nas empresas a nível planetário alcançará, até 2022, o nível de 80% em propostas de valor e operações baseadas no digital.

É um dado muito relevante, mas sabemos que a transformação digital não depende apenas da tecnologia: a componente humana é fundamental neste processo. Desde logo por contribuir para esbater distâncias geográficas, fronteiras culturais e barreiras sociais, culminando na criação de autênticos ecossistemas. Um bom web designer, por exemplo, pode trabalhar hoje em Londres, Xangai, São Paulo ou Lisboa sentindo-se sempre em casa.

Chegou também o  momento de questionarmos a formação dos novos talentos para impulsionar este processo de transformação, de que não se poderão alhear as escolas aos mais diversos níveis de ensino e da concorrência que o digital tem trazido, designadamente com a “revolução silenciosa” operada através dos MOOCs (Massive Open Online Courses), de que já não abdicam as universidades mais prestigiadas a nível mundial.

Jorge Jordão,
Presidente da Confederação dos Serviços de Portugal

O autor escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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